É uma das maravilhas do desemprego. Pensar em coisas. Dei por mim numa reflexão pertinentíssima sobre um dos grandes mistérios do mundo que tem sido injustamente negligenciado. São os livrinhos de passatempos. Os "cruzadexes" deste mundo que decoram, juntamente com aquelas molas pretas de escritório, os quiosques deste Portugal.
Primeira Questão: quem os fabrica? Quem é o senhor que nas finanças declara que é "fazedor de palavras cruzadas"? Como é que é o dia-a-dia de um profissional deste gabarito? -"Aaaaah...vou só descobrir um rio na Argentina com sete letras para cruzá-lo aqui com "estomatologia" e ainda vou sair às cinco pr'a ir ao dentista". Ou há um computador que a NASA anda pr'a comprar há cinco anos, que gera 40 páginas de quebra-cabeças diferentes por semana para entreter aquela escritorária que apanha o comboio das seis e meia?
Segunda Questão: há mais que um "cruzadex". Há concorrência. Existirão lendárias e sangrentas guerras editoriais? A par da Cofina Vs Impresa, existirá uma Gentil Martins editores Vs Edições Craveirinha? Não consigo dormir.
Terceira Questão: esta particularmente enigmática. Porque é que nas capas destes magazines figuram SEMPRE as mulheres dos calendários de oficina, mas vestidas? Bem sei, não há resposta.
Quarta Questão: quem são as pessoas que compram os ditos magazines e qual a JUSTIFICAÇÃO? Diáriamente, todos os jornais diários (passo o pleonasmo) publicam pelo menos um sudoku, uma palavrinha cruzada e o injustamente esquecido problema de bridge. Vantagem: além dos passatempos, trazem notícias nas outras páginas. E para poupar a reflexão, não traremos para a discussão os DESTAK's, os METRO's e o best seller DICA DA SEMANA.
Moral da história:
Arranjem-me um emprego (pode ser quase) digno e eu prometo que paro de escrever.